Novo estádio do Tottenham quer banir plástico, podemos aprender?

Tottenham estádio

O Tottenham está pronto para abrir seu novo estádio depois de seguidos adiamentos e um orçamento que chegou a 850 milhões de libras – quase 4,5 bilhões de reais – para ter uma nova casa que cabe quase o dobro de pessoas que o antigo estádio de White Hart Lane.

E as 62 mil pessoas vão entrar no estádio, logo no seu primeiro dia de operação, que traz medidas que são muito interessantes. E que nos fazem pensar que nossos clubes do Brasileirão da Série A, vários deles jogando em estádios também muito modernos, de Copa do Mundo, podem fazer igual.

A briga com o plástico

O clube lançou comunicado no meio da construção, em abril de 2018, que procuraria formas mais sustentáveis de lidar com materiais. O comprometimento ali foi criado: eliminar o uso de plástico descartável.

Então canudos, mexedores e utensílios como garfos, facas e pratos de plástico foram excluídos logo de cara. Plástico para embalar produtos também foi banido. Tudo isso serve também para os fornecedores do estádio, nas áreas comuns e Premium.

Outra ideia bastante interessante, para eliminar as sacolas de plástico, são bolsas transparentes que os proprietários de ingressos para a temporada vão ganhar. Nelas eles vão poder colocar os brindes, compras nas lojas do estádio e também itens pessoais. O material é biodegradável.

A conscientização sobre o poder destrutivo do plástico para a natureza ganhou novos níveis recentemente, inclusive com leis em cidades brasileiras proibindo o uso de canudos desse material.

Por ano são produzidas 400 milhões de toneladas de plástico no mundo e 40% disso é para usar e descartar, o que cria um impacto ambiental enorme. Além do fato do material não se dissolver com facilidade, ele ainda afeta a vida animal, com seres marinhos ingerindo plástico de forma involuntária e levando à morte. Estima-se que oito milhões de toneladas todo anoacabam nos mares.

E não para por aí

O Tottenham, junto com entidades famosas do Reino Unido como o King’s College, o Science Museum, os correios do país, a Igreja Metodista britânica e também a Adidas são participantes do 10:10, uma iniciativa criada em 2010 que pedia 10% na redução das emissões de carbono.

Então nada mais natural que chegando em 2020, o estádio do clube também se preocupe com sua pegada de carbono.

O empreendimento visa reduzir ao máximo seu uso de luz artificial e outras medidasecofriendly para tornar-se um dos estádios mais sustentáveis do Reino Unido. A redução nas emissões de carbono, em comparação com prédios do mesmo gênero, é estimada em 40%.

O que podemos puxar?

Nos novos estádios que criamos ou reformamos para a Copa e outras arenas que surgiram, como as de São Paulo (Palmeiras) e Porto Alegre (Grêmio) há medidas sustentáveis que visam criar uma conscientização sobre a importância de preservar o meio-ambiente.

A Arena da Baixada, por exemplo, teve desde a reconstrução o pensamento em diminuir a energia gasta, assim como reduzir gastos com iluminação e também reusar a água nas dependências.

Entretanto, isso está longe de ser a regra e também não há como culpar clubes, muitas vezes deficitários, por estarem a bordo da onda verde. Aqui cabe que a Confederação Brasileira de Futebol ou mesmo o Ministério do Esporte puxem o bonde.

Premiações para a equipe que mais pensa no meio-ambiente, como dinheiro ou doação para uma ONG da escolha, redução nos impostos ou maior repasse da Timemania, enfim, a criação de incentivos.

A ideia aqui é que preservar o meio-ambiente seja uma noção generalizada para todos os clubes da elite do futebol brasileiro e de outros esportes. E que iniciativas boas e produtivas sejam premiadas e institucionalizadas, não só uma ação isolada que não ganha atenção suficiente.

Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.
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