Mais dois indígenas são assassinados no Maranhão. Caso repercute no mundo

morte de indígenas

Há poucos meses, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro vaticinou que estávamos testemunhando uma ofensiva final contra os povos indígenas. O assassinato de dois homens da etnia Guajajara no último sábado (7), no município de Jenipapo dos Vieira, no Maranhão, é mais uma confirmação sombria dessa tese.

Um vídeo-denúncia com imagens do local e depoimento de um terceiro indígena baleado vem sendo compartilhado por organizações brasileiras e internacionais ligadas à proteção ambiental e à defesa dos povos tradicionais.

Como informou a Deutsche Welle, testemunhas afirmaram que Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Benicio Guajajara foram atingidos por disparos que partiram de um veículo branco, às margens da rodovia BR 226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel, a 506 quilômetros da capital São Luís.

Eles saíam de uma reunião entre indígenas e a empresa Eletronorte. Segundo o cacique Magno Guajajara, presente no local quando o atentado ocorreu, havia cinco pessoas no carro. Para ele, o assassinato pode guardar relação com a reunião, convocada para tratar de ações de bem-estar voltadas para os habitantes da Terra Indígena (TI) Canabrava, no Maranhão.

“Nós nos sentimos vulneráveis. [O atentado] pode ter a ver com as denúncias que a gente faz das invasões dentro dos nossos territórios”, declarou Magno Guajajara à Deutsche Welle.

Conforme divulgado pelo El País, o governador do Maranhão, Flávio Dino, manifestou pesar em sua conta no Twitter e se disse solidários às vítimas, informando que equipes estaduais e federais estão trabalhando em parceria para atuar na área. Também se manifestaram em seus perfis nas redes sociais o ministro Sérgio Moro e a líder Sonia Guajajara, que está Madri por ocasião da Cúpula do Clima da ONU (COP-25).

Trata-se do segundo atentado contra indígenas da etnia em um período de dois meses. No início de novembro, a morte do líder Paulino Guajajara repercutiu no mundo inteiro.

A Anistia Internacional exigiu esclarecimentos:

“Os ataques aos povos indígenas, os primeiros habitantes do país, violam uma série de direitos: desde o mais básico e valioso, o direito à vida, passando pelo direito a seus territórios, seus modos de vida e a sua segurança […] Exigimos esclarecimento sobre as circunstâncias dessas mortes e a efetivação dos direitos humanos dos povos indígenas!”, declarou.

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