Índio: o maior conservador e defensor da vida na Terra

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A conservação atual da biodiversidade deve-se aos povos indígenas. Guardiães da natureza, eles têm uma relação profunda com o meio ambiente, o qual rege a forma como eles organizam as suas vidas. Logo, a proteção ambiental é um modo de cuidar deles mesmos – e por, extensão, de todos nós.

O especialista em meio ambiente e governança Francisco Rilla explica que:

“a compreensão do meio ambiente pelos índios é baseada em um sofisticado conhecimento coletivo de ecologia, bem como nas capacidades que lhes permitem gerir os seus territórios de forma que proteja o seu modo de vida e garanta a sustentabilidade dos recursos naturais”.

Os indígenas desempenham um papel fundamental na preservação da biodiversidade planetária. No Brasil, por exemplo, as Terras Indígenas (TIs) localizadas na Amazônia brasileira trazem o desenvolvimento sustentável do bioma – ainda pouco reconhecidos. Por isso, preservar as TIs é o caminho para preservar, também, a Amazônia.

Isso porque, segundo o ISA (Instituto sócio Ambiental), nas Terras Indígenas amazônicas preservam-se a natureza e a cultura, já que nelas vivem 173 etnias e, ainda, o desmatamento na região foi de apenas 2%, enquanto no restante da Amazônia brasileira foi de 20%, nos últimos 40 anos. As TIs têm um efeito inibidor do desmatamento, o que pôde ser comprovado entre 2004 e 2008 com a queda nas taxas de depredação florestal.

Uma publicação da divulgou que pesquisas recentes demonstram que os 370 milhões de povoados indígenas espalhados pelo mundo, os quais representem menos de 5% da população mundial, são responsáveis por proteger cerca de 80% da biodiversidade do planeta.

Bolsonaro x índios

Recentemente, os território indígenas Waiãpi, na Amapá, e Yanomami, em Roraima, foram invadidos por garimpeiros. A reação do presidente Jair Bolsonaro foi mais um ato de violência sobre esse ataque. Para explicar a invasão, Bolsonaro valeu-se do que o jornalista Leonardo Sakamoto chama de “teoria da conspiração”:

“Esse território que está nas mãos dos índios, mais de 90% nem sabem o que que tem lá e mais cedo ou mais tarde vão se transformar em outros países. Está na cara que isso vai acontecer, a terra é riquíssima. Porque não legalizaram indígena em cima de terra pobre? Não existe. Há um interesse enorme de outros países de ganhar, de ter para si a soberania da Amazônia”, disse o presidente em entrevista registrada pela Folha de S.Paulo.

Não era de se esperar outro tipo de declaração, já que, quando ainda candidato, Bolsonaro já havia se posicionado sobre a questão indígena de forma a, inclusive, desrespeitar o estabelecido na Constituição Federal, bem como em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Animais em zoológico

No ano passado, Bolsonaro declarou que manter índios em reservas demarcadas é tratá-los como animais em zoológicos, como informou na época, o G1. A declaração foi feita no contexto de explicar o posicionamento do Brasil em relação ao Acordo de Paris. Na ocasião, o então candidato disse:

“Sobre o acordo de Paris, nos últimos 20 anos, eu sempre notei uma pressão externa – e que foi acolhida no Brasil – no tocante, por exemplo, a cada vez mais demarcar terra para índio, demarcar terra para reservas ambientais, entre outros acordos que no meu entender foram nocivos para o Brasil. Ninguém quer maltratar o índio. Agora, veja, na Bolívia temos um índio que é presidente. Por que no Brasil temos que mantê-los reclusos em reservas, como se fossem animais em zoológicos?”.

Em suas declarações, Bolsonaro não apenas demonstra um total desconhecimento sobre as questões indígena e ambiental, como desrespeita os povos indígenas brasileiros ao não se sensibilizar e tentar protegê-los, como presidente, dos perigos a que estão sendo expostos.

Quer um país rico, desenvolvido? Dê terras aos índios

Um estudo da Word Resources Institute (WRI), publicado pelo GreenMe, revelou que, somente na Amazônia brasileira, a posse regularizada de terra para as comunidades indígenas vale pelo menos US$ 26 bilhões por ano – e talvez valha até mais do que o dobro disso.

Essa cifra “limpa” se refere a um possível lucro caso cumprida a legislação sobre a devolução das terras aos indígenas, já descontados os custos relacionados ao processo de regularização.

A emissão de CO2 tem um custo elevado, além dos seus efeitos negativos para o meio ambiente.

Cada vez mais estudos vêm revelando o papel fundamental dos povos indígenas no mundo. Opor-se contra eles é nadar na contramão de um processo civilizatório no qual a ecologia e o coletivo só podem andar de mãos dadas. Os maior conservadores e defensores da vida na Terra são eles.

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Doutora em Estudos de Linguagem, Mestra em Linguística e Especialista em Ensino de Língua Portuguesa, escreve para GreenMe desde 2015.
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