Cacau, desmatamento e exploração. O lado amargo do chocolate que pouca gente conhece

cacau

Difícil resistir a um chocolate, não é mesmo? Que chocolate é delicioso a maioria das pessoas sabe, porém, o que nem todo mundo conhece é o lado desgostoso e bem amargo do chocolate, que está relacionado com o desmatamento de florestas e com a exploração da mão de obra infantil.

Os grandes fabricantes de chocolate são verdadeiros mercenários.

Como informa a ONU Brasil, menos de 7% do preço de uma barra de chocolate vai para as mãos dos produtores de cacau e a produção global de cacau é feita através da destruição de biodiversidade!

Devido os prejuízos da produção do cacau, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e seus parceiros vêm atuando com projetos visando tornar a  indústria do chocolate mais ecológica e sustentável.

Saiba mais sobre os prejuízos da produção intensiva de cacau e como tornar essa atividade sustentável.

Cultivo e produção do chocolate: desmatamento e exploração

Os prejuízos que a produção de cacau vem causando são diversos. A cadeia de produção do cacau é marcada pela derrubada de florestas nativas e pela exploração do trabalho infantil.

Como exemplo da devastação florestal, temos a Costa do Marfim, na África, que é uma das maiores produtoras de cacau, e que vem sendo afetada com intensas derrubadas de árvores. Se continuar nesse ritmo, a floresta desse país deixará de existir até 2030.

De 1990 a 2015, a Costa do Marfim teve uma perda de 64% das árvores nativas e, com isso, a destruição de ecossistemas, a redução da biodiversidade, erosão do solo e assoreamento (sedimentação) de córregos. 

E isso se agrava com o fato de que no mundo todo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), existem de 5 a 6 milhões de produtores de cacau, sendo que 70% deles são pequenos agricultores.

A Costa do Marfim, na África, é onde se concentra a maioria dos pequenos produtores. Por isso, é ali onde se concentram os maiores prejuízos relacionados com a produção do cacau.

Exploração do trabalho infantil

De acordo com a PNUMA, a falta de recursos e de informações técnicas impedem a boa gestão dos cacaueiros, que se tornam pouco produtivos.

Os pequenos agricultores, para driblar essas dificuldades, derrubam mais ainda as florestas para dar espaço à novas plantações com o uso de agrotóxicos, e através da exploração do trabalho infantil. Tudo isso para aumentar a produtividade.

A lavoura de cacau envolve a exploração de trabalho infantil, que não só ocorre na África como também no Brasil.

Em novembro de 2018, em nosso país, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançaram um relatório sobre trabalho escravo e infantil na cadeia produtiva do cacau em que consta “a violação de direitos humanos na cadeia do chocolate por meio de grandes empresas processadoras de cacau e marcas de varejo”.

Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014, cerca de 8 mil crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, no Brasil, trabalham em plantações de cacau.

Como se pode ver, infelizmente, as grandes empresas de chocolate utilizam matéria-prima produzida com a exploração do trabalho infantil e o consumidor se delicia com este produto resultante do sofrimento de crianças obrigadas à trabalhar duro em lavouras de cacau. 

Dá para ser diferente: o cultivo sustentável do cacau

Para combater a degradação ambiental provocada pela produção do cacau é importante o trabalho em conjunto da indústria e do governo para criar no setor cacaueiro em um modelo sustentável e uma agricultura livre de desmatamento e exploração.

As empresas produtoras de chocolate têm um papel fundamental nisso, não só na oferta de chocolate de qualidade, mas também na educação e na conscientização dos produtores cacaueiros, principalmente na Costa do Marfim, onde a produção é mais intensa.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente tem incentivado e conscientizado os fabricantes de chocolates da região da Costa do Marfim, para os desafios da indústria do chocolate e para que apoiem cada vez mais os pequenos agricultores locais na produção de sementes orgânicas de cacau.  

No Brasil, tem-se implantado na Amazônia sistemas sustentáveis agroflorestais com cacau em terras degradadas para combater o desmatamento, gerar renda e preservar o solo por meio da agricultura familiar. 

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Além do mais, quando se fala em sustentabilidade, é preciso lembrar não só do aspecto ambiental, mas também humano, como a infância ceifada nas lavouras de cacau. Para combater isso é necessário que as empresas monitorem e rastreiem toda a cadeia produtiva do cacau para eliminar a exploração do trabalho infantil que é praticamente escravo.  

A produção ética e sustentável do cacau envolve a colaboração da industria do chocolate, do governo e da sociedade.

Ao governo cabe dar condições, recursos e subsídios para o agricultor cultivar o cacau de forma sustentável e sem utilizar o trabalho infantil como mão de obra.

Já o consumidor tem um papel de suma importância nesse processo exigindo mais sustentabilidade das empresas produtoras de chocolate, dando preferência e consumindo marcas de chocolates de empresas éticas e sustentáveis, ou seja, praticando um consumo consciente.

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.
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