Acari-zebra: peixinho alvo de tráfico ilegal que risca a extinção por causa da usina Belo Monte

Acari-zebra

Um projeto gigantesco que gera uma série de controvérsias e muitos impactos. A construção da usina de, em Altamira (PA), que colocará a hidrelétrica entre as maiores do mundo, após a finalização das obras, tem modificado drasticamente a vida dos moradores locais, principalmente das tribos indígenas do Xingu. Há, nesse cenário, uma outra população afetada: a de peixes acari-zebra, que podem entrar em extinção, nos próximos anos, em decorrência da construção e funcionamento de Belo Monte.

Para evitar essa perda ambiental, pesquisadores do IBAMA, Pará e Amazonas estão congelando o sêmen dessa espécie para evitar a extinção completa do peixe que é o mais ameaçado entre os 2400 catalogados no Projeto Amazon Fish.

A iniciativa é parte dos condicionantes estipulados pelo IBAMA para que a obra possa continuar. O projeto é pago pela Norte Energia, operadora de Belo Monte. O principal objetivo do congelamento dos sêmens é preservar a variabilidade genética, fazendo a reprodução em cativeiro.

O peixe acari-zebra (Hypancistrus zebra), que, sofre com os impactos de Belo Monte, principalmente, porque houve diminuição da vazão de rios, facilitando a captura dele. A construção acabou ainda com o ciclo sazonal de cheia e seca. A falta de inundação da floresta diminui consideravelmente os alimentos na água para os peixes.

Outra ameaça ao acari-zebra é o tráfico de animais. Atualmente, as maiores apreensões no Brasil acontecem em Manaus, na capital do Amazonas. Apesar de terem comercialização proibida desde 2004 e estarem na lista da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameadas de Extinção – Cites – o peixe é alvo de muitas pescas ilegais.

O projeto que visa evitar a extinção dos acari-zebras reintroduziu, recentemente, 150 peixes na Volta do Xingu e entregou 330 ao laboratório da Universidade Federal do Pará (UFPA), no entanto essa reintrodução é criticada por muitos especialistas, que dizem que é muito arriscado devolver essas espécies à natureza, nesse ambiente de danos ambientais. Além disso, peixes de cativeiro tendem a ser mais vulneráveis, pois têm a imunidade mais baixa e são mais facilmente capturados.

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Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.
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